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Novo Testamento

João 1

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Evangelho Segundo João 1

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Evangelho Segundo João 1:1

O Verbo eterno

1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus.

Contexto

João inicia seu Evangelho levando o leitor para antes do nascimento de Jesus e até mesmo para antes da criação. A expressão “No princípio” estabelece uma conexão com Gênesis 1:1 e apresenta Cristo dentro da realidade eterna de Deus.

Explicação

Quando João chama Cristo de “a Palavra”, ou Logos, ele apresenta aquele por meio de quem Deus se revela. O texto afirma que a Palavra já existia no princípio, estava com Deus e era Deus. João não descreve Jesus como alguém que começou a existir em Belém, mas como aquele que já existia antes da criação. Ao mesmo tempo, a expressão “estava com Deus” preserva uma distinção pessoal, enquanto “era Deus” afirma sua natureza divina.

Verdade central

Jesus Cristo é eterno e divino. Ele não é apenas um mestre enviado por Deus; ele participa plenamente da identidade divina e é a revelação perfeita de Deus ao ser humano.

Aplicação

A fé cristã está fundamentada em alguém que existe antes de todas as coisas. Conhecer Jesus, portanto, não é apenas conhecer seus ensinamentos, mas encontrar aquele por meio de quem Deus se revelou. Essa verdade fortalece nossa confiança: o Cristo em quem depositamos nossa fé não é limitado pelas circunstâncias humanas nem pelo tempo.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:2–3

Tudo veio a existir por meio dele

2Esta estava no princípio junto de Deus.

3Por esta foram feitas todas as coisas, e sem ela não se fez coisa nenhuma do que foi feito.

Contexto

Depois de afirmar a eternidade e a divindade do Verbo, João reforça que aquele que estava com Deus no princípio também participa da obra da criação. Os versículos 2 e 3 aprofundam a declaração inicial e afastam qualquer ideia de que Cristo faça parte das coisas criadas.

Explicação

João repete que o Verbo estava no princípio com Deus e imediatamente apresenta sua relação com toda a criação: todas as coisas vieram a existir por meio dele. A linguagem é abrangente. Nada do que foi criado passou a existir independentemente dele. Cristo, portanto, não pertence à categoria da criação; ele está do lado daquele por meio de quem a criação veio à existência. Essa afirmação se harmoniza com outros textos do Novo Testamento que apresentam o Filho como agente da criação e sustentador de todas as coisas.

Verdade central

Jesus Cristo não é uma criatura entre outras. Ele existia antes da criação e participou ativamente da origem de tudo o que existe.

Aplicação

Quando reconhecemos Cristo como aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas, nossa visão sobre ele muda. O Jesus que encontramos nos Evangelhos não é limitado pelo mundo que vemos; ele é Senhor sobre a própria criação. Isso significa que nenhuma circunstância está além de sua autoridade e nenhum aspecto de nossa vida está fora de seu domínio.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:4–5

A vida e a luz que as trevas não vencem

4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos seres humanos.

5E a luz brilha nas trevas; e as trevas não a compreenderam.

Contexto

Depois de apresentar o Verbo como eterno e como aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência, João passa da criação para dois temas fundamentais de seu Evangelho: vida e luz. O evangelista mostra que a vida encontrada em Cristo não é apenas existência biológica, mas a vida que procede de Deus e ilumina a condição humana.

Explicação

João declara que no Verbo estava a vida e que essa vida era a luz dos homens. Cristo é apresentado como a fonte da verdadeira vida e como aquele que revela Deus, expõe a realidade espiritual do ser humano e mostra o caminho da salvação. A luz resplandece nas trevas, indicando um confronto entre a revelação de Deus e tudo aquilo que representa pecado, incredulidade e oposição. As trevas não conseguem extinguir a luz. Mesmo diante da resistência humana, a revelação de Deus em Cristo permanece vitoriosa. O Evangelho desenvolverá continuamente esse contraste entre luz e trevas.

Verdade central

Jesus Cristo é a fonte da vida e a luz que revela Deus ao mundo. As trevas podem resistir à luz, mas não possuem poder para vencê-la.

Aplicação

Há momentos em que as circunstâncias parecem dominadas por escuridão, confusão e ausência de esperança. João nos lembra que a luz de Cristo não depende das condições ao redor para continuar brilhando. Seguir Jesus significa abandonar aquilo que pertence às trevas e permitir que sua verdade ilumine nossas decisões, prioridades e relacionamentos. A escuridão não tem a palavra final quando Cristo está presente.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:6–8

A testemunha da Luz

6Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João.

7Este veio por testemunho, para que testemunhasse da Luz, para que todos por ele cressem.

8Ele não era a Luz; mas [foi enviado] para que testemunhasse da Luz.

Contexto

Depois de apresentar o Verbo como a vida e a luz dos seres humanos, João introduz João Batista. A mudança é importante: o evangelista deixa momentaneamente a eternidade do Verbo e entra na história humana, apresentando um homem enviado por Deus com uma missão específica de testemunho.

Explicação

João Batista é descrito como alguém enviado por Deus para dar testemunho da Luz, a fim de que outros viessem a crer por meio de sua mensagem. O texto faz questão de estabelecer uma distinção: João não era a Luz. Seu papel era apontar para ela. Essa declaração evita que o mensageiro ocupe o lugar daquele a quem anuncia. A autoridade de João Batista não estava em atrair pessoas para si, mas em conduzi-las a Cristo. Seu ministério exemplifica a natureza do verdadeiro testemunho cristão: tornar Cristo conhecido sem tomar para si a glória que pertence a ele.

Verdade central

O verdadeiro mensageiro de Deus não procura ocupar o lugar de Cristo; sua missão é testemunhar sobre ele e conduzir outros à verdadeira Luz.

Aplicação

Também somos chamados a testemunhar de Cristo sem transformar a fé em uma plataforma de autopromoção. Nossos dons, ministérios, palavras e influência devem apontar para Jesus. Quanto mais fiel é o testemunho cristão, menos o mensageiro busca ser o centro e mais claramente Cristo é visto por meio dele.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:9–13

A verdadeira Luz e os filhos de Deus

9[Esta] era a luz verdadeira, que ilumina a todo ser humano que vem ao mundo.

10No mundo estava, e por ele foi feito o mundo; e o mundo não o conheceu.

11Ao [seu] próprio veio, e os seus não o receberam.

12Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem em seu nome.

13Os quais não são gerados de sangue, nem de vontade da carne, nem de vontade de homem, mas sim de Deus.

Contexto

Depois de apresentar João Batista como testemunha, o evangelista volta sua atenção para Cristo, identificado como a verdadeira Luz. João descreve o paradoxo da encarnação: aquele por meio de quem o mundo veio a existir entrou no próprio mundo, mas não foi reconhecido por ele. O texto também apresenta uma das grandes transições teológicas do prólogo: da rejeição de Cristo para a nova identidade concedida aos que o recebem.

Explicação

A expressão “verdadeira Luz” apresenta Cristo como a revelação plena e definitiva de Deus. Ele veio ao mundo que havia sido criado por meio dele, porém o mundo não o reconheceu. João intensifica essa rejeição ao declarar que Jesus veio para os seus, mas os seus não o receberam. Entretanto, a rejeição humana não encerra a história. Aos que o recebem e creem em seu nome, Deus concede o direito de se tornarem seus filhos. João deixa claro que essa nova filiação não nasce de descendência natural, esforço humano ou decisão meramente humana; ela tem sua origem em Deus.

Verdade central

A filiação divina não é alcançada por herança religiosa, mérito ou origem familiar. Ela é concedida por Deus àqueles que recebem Cristo e creem em seu nome.

Aplicação

É possível conhecer tradições religiosas, possuir conhecimento bíblico e ainda não receber verdadeiramente Cristo. João nos chama para uma fé pessoal e genuína. Ser filho de Deus não depende da história espiritual de nossa família nem de nossas realizações, mas de uma nova relação com Deus por meio de Cristo. Essa identidade transforma nossa segurança, nosso propósito e a maneira como vivemos diante de Deus e das pessoas.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:14

O Verbo se fez carne

14E aquela Palavra se fez carne, e habitou entre nós; (e vimos sua glória, como glória do unigênito do Pai) cheio de graça e de verdade.

Contexto

Depois de apresentar o Verbo como eterno, divino, Criador, fonte da vida e verdadeira Luz, João chega ao ponto culminante do prólogo: aquele que existia antes de todas as coisas entrou na história humana. O Deus que parecia inalcançável tornou sua presença conhecida de maneira concreta na pessoa de Jesus Cristo.

Explicação

A afirmação de que “o Verbo se fez carne” não significa que Cristo deixou de ser divino, mas que aquele que eternamente era o Verbo assumiu verdadeiramente a condição humana. A palavra “carne” enfatiza a realidade de sua humanidade. João acrescenta que ele habitou entre nós, expressão que evoca a ideia do tabernáculo do Antigo Testamento, onde a presença de Deus permanecia no meio de Israel. Agora, porém, a presença divina é revelada de maneira suprema em Jesus. Os discípulos contemplaram sua glória, a glória do Filho único vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.

Verdade central

Em Jesus Cristo, Deus entrou verdadeiramente na condição humana sem deixar de ser Deus. A encarnação torna visível e acessível a revelação da graça, da verdade e da glória divina.

Aplicação

O cristianismo não está fundamentado apenas em ideias sobre Deus, mas no fato de que Deus se aproximou de nós em Cristo. Jesus conhece a realidade humana porque assumiu verdadeiramente nossa humanidade. Podemos nos aproximar dele com confiança em nossas fraquezas, dores e limitações. Ao mesmo tempo, contemplar Cristo deve transformar nossa maneira de compreender Deus: nele vemos graça e verdade caminhando juntas.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:15–18

Graça e verdade vieram por Jesus Cristo

15E João dele testemunhou, e clamou, dizendo: Este era aquele, de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim; porque era primeiro que eu.

16E de sua plenitude recebemos todos também graça por graça.

17Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade foi feita por Jesus Cristo.

18A Deus nunca ninguém o viu; o unigênito Filho, que está no seio do Pai, ele [o] declarou.

Contexto

João encerra o prólogo retomando o testemunho de João Batista e mostrando a superioridade de Cristo. Embora Jesus tenha iniciado seu ministério público depois de João Batista, ele é apresentado como aquele que existia antes dele. O evangelista então contrasta a revelação recebida por meio de Moisés com a revelação plena de Deus manifestada em Jesus Cristo.

Explicação

João Batista declara que Cristo possui precedência sobre ele porque existia antes dele, reafirmando a preexistência do Verbo. Em seguida, o evangelista afirma que da plenitude de Cristo todos recebemos graça sobre graça. A Lei foi dada por meio de Moisés, uma dádiva real de Deus ao seu povo, mas em Jesus Cristo a graça e a verdade alcançam sua expressão plena. O contraste não apresenta a Lei como má, mas mostra que Cristo é o cumprimento e a revelação definitiva para a qual a história bíblica apontava. João conclui dizendo que ninguém jamais viu Deus em sua plenitude; o Filho único, que está em íntima comunhão com o Pai, tornou Deus conhecido.

Verdade central

Jesus Cristo é a revelação definitiva de Deus. Nele encontramos a plenitude da graça e da verdade e conhecemos de maneira suprema quem o Pai é.

Aplicação

Conhecer Deus não depende apenas de acumular informações religiosas. João nos direciona para Cristo. Quanto mais conhecemos Jesus, mais claramente compreendemos o caráter de Deus, sua graça, sua verdade e seu propósito para nós. A vida cristã deve permanecer centrada em Cristo, porque é nele que recebemos continuamente da plenitude de Deus.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:19–28

A voz que prepara o caminho

19E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram alguns sacerdotes e levitas de Jerusalém, que lhe perguntassem: Tu quem és?

20E confessou, e não negou; e confessou: Eu não sou o Cristo.

21E lhe perguntaram: Que, então? És tu Elias? E ele disse: Não sou. [Eles disseram] : Tu és o Profeta? E ele respondeu: Não.

22Disseram-lhe pois: Quem és? Para darmos resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?

23Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

24E os enviados eram dos fariseus.

25E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que pois batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26João lhes respondeu, dizendo: Eu batizo com água; mas em meio de vós, está a quem vós não conheceis,

27Este é aquele que vem após mim, o qual já foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a tira de sua sandália.

28Estas coisas aconteceram em Betábara, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

Contexto

Depois de concluir o prólogo, João passa a narrar acontecimentos históricos ligados ao início do ministério de Jesus. Autoridades religiosas enviam sacerdotes e levitas de Jerusalém para perguntar quem João Batista era. Sua pregação, seu chamado ao arrependimento e sua prática do batismo haviam despertado grande atenção entre o povo.

Explicação

João Batista responde às perguntas deixando claro primeiro quem ele não é. Ele não é o Cristo, não é Elias no sentido esperado por seus interrogadores e não reivindica para si o título do Profeta aguardado. Em vez de construir uma identidade em torno de sua própria importância, João usa Isaías 40:3 para definir sua missão: ele é uma voz que clama no deserto e prepara o caminho do Senhor. Quando questionado sobre sua autoridade para batizar, João novamente desloca a atenção de si mesmo para aquele que já estava no meio deles e que era incomparavelmente maior. Seu testemunho revela a postura do verdadeiro servo: conhecer sua missão sem ocupar o lugar daquele a quem serve.

Verdade central

João Batista compreendeu que sua grandeza estava em apontar para Cristo, não em competir com ele. O verdadeiro ministério prepara pessoas para encontrar Jesus.

Aplicação

Existe uma diferença entre servir a Cristo e tentar construir nossa própria importância usando as coisas de Deus. João Batista nos ensina a reconhecer com clareza quem somos e, principalmente, quem não somos. Nossos dons, influência e serviço devem abrir caminho para que outras pessoas enxerguem Cristo. A fidelidade não é medida pela quantidade de atenção que recebemos, mas pela clareza com que direcionamos essa atenção para Jesus.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:29–34

O Cordeiro de Deus

29O dia seguinte viu João a Jesus vir a ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que já foi antes de mim; porque já era primeiro que eu.

31E eu não o conhecia; mas para que fosse manifesto a Israel, por isso vim eu batizando com água.

32E João testemunhou, dizendo: Eu vi o Espírito como pomba descer do céu, e repousou sobre ele.

33E eu não o conhecia, mas aquele que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer ao Espírito, e repousar sobre ele, esse é o que batiza com Espírito Santo.

34E eu [o] vi, e testemunhado tenho, que este é o Filho de Deus.

Contexto

No dia seguinte ao interrogatório feito pelas autoridades religiosas, João Batista vê Jesus aproximando-se e faz uma declaração que resume de maneira profunda sua missão: “Eis o Cordeiro de Deus”. A imagem do cordeiro carregava forte significado para os leitores familiarizados com as Escrituras de Israel, especialmente com o sacrifício, a Páscoa e a esperança de redenção.

Explicação

Ao chamar Jesus de Cordeiro de Deus, João aponta para sua missão redentora. Jesus é apresentado como aquele que tira o pecado do mundo. A expressão vai além da solução de um problema político ou nacional; João apresenta uma obra de alcance muito maior, relacionada ao pecado humano. O Batista também reafirma que Jesus possui precedência sobre ele porque existia antes dele. Em seguida, testemunha que viu o Espírito descer e permanecer sobre Jesus. Esse sinal havia sido dado por Deus para que João reconhecesse aquele que batizaria com o Espírito Santo. Seu testemunho culmina na identificação de Jesus como o Filho de Deus.

Verdade central

Jesus é o Cordeiro providenciado por Deus para enfrentar o problema fundamental do ser humano: o pecado. Ele é também aquele sobre quem o Espírito permanece e o Filho enviado por Deus.

Aplicação

João Batista não aponta para Jesus apenas como exemplo moral ou mestre extraordinário. Ele aponta para aquele que trata da nossa culpa diante de Deus. Reconhecer Jesus como o Cordeiro de Deus significa admitir que o pecado é um problema que não podemos solucionar por nossas próprias forças e confiar na provisão que Deus oferece em Cristo. A fé começa quando deixamos de olhar para nossa própria capacidade e direcionamos nossa confiança para aquele que Deus enviou.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:35–42

Encontramos o Messias

35O seguinte dia estava outra vez [ali] João, e dois de seus discípulos.

36E vendo [por ali] andar a Jesus, disse: Eis o Cordeiro de Deus.

37E os dois discípulos ouviram[-lhe] dizer [aquilo] , e seguiram a Jesus.

38E Jesus, virando-se, e vendo-os seguir, disse-lhes: Que buscais? E eles lhe disseram: Rabi, (que traduzido, quer dizer, Mestre) onde moras?

39Disse-lhes ele: Vinde, e vede-o; Vieram, e viram onde morava, e na companhia dele naquele dia; e já era quase a hora décima.

40Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouvira aquilo de João, e o haviam seguido.

41Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Já achamos ao Messias(que traduzido, é o Cristo).

42E levou-o a Jesus. E Jesus, olhando para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas. (que se traduz Pedro).

Contexto

João Batista volta a apontar para Jesus como o Cordeiro de Deus. Desta vez, dois de seus próprios discípulos ouvem seu testemunho e passam a seguir Jesus. O texto marca uma importante transição: o ministério de João cumpre sua função quando conduz pessoas para Cristo.

Explicação

Ao perceber que os dois homens o seguiam, Jesus pergunta: “Que buscais?”. A pergunta vai além de uma simples informação sobre o destino deles; ela coloca diante dos futuros discípulos a questão fundamental do discipulado: o que realmente procuram em Jesus? Eles respondem perguntando onde ele mora, e Jesus os convida: “Vinde e vede”. O discipulado começa com um encontro pessoal. André, um dos dois, imediatamente procura seu irmão Simão e declara: “Encontramos o Messias”. Ele não guarda para si aquilo que descobriu. Quando Simão é levado a Jesus, Cristo olha para ele e lhe dá um novo nome, Cefas, indicando desde o início que o encontro com Jesus também envolveria transformação de identidade e propósito.

Verdade central

O encontro verdadeiro com Cristo conduz ao discipulado, ao testemunho e à transformação. Quem reconhece Jesus como o Messias é chamado não apenas a segui-lo, mas também a conduzir outros até ele.

Aplicação

A pergunta de Jesus continua pertinente: o que buscamos quando nos aproximamos dele? Algumas pessoas procuram apenas respostas, soluções ou benefícios. O Evangelho nos convida para algo mais profundo: permanecer com Cristo e conhecê-lo. André também nos ensina que não precisamos saber tudo antes de falar de Jesus. Ele simplesmente levou seu irmão até aquele que havia encontrado. Uma das formas mais poderosas de testemunho continua sendo dizer a alguém: venha e conheça Cristo.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

Evangelho Segundo João 1:43–51

Vem e vê

43O dia seguinte Jesus quis ir à Galileia, achou Filipe, e disse-lhe: Segue-me.

44E Filipe era de Betsaida, da cidade de André e de Pedro.

45Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Achamos [aquele] de quem Moisés escreveu na Lei, e os Profetas: a Jesus, o filho de José, de Nazaré.

46E disse-lhe Natanael: Pode haver alguma coisa boa de Nazaré? Filipe lhe disse: Vem, e vê.

47Jesus viu Natanael vir, e disse dele: Eis verdadeiramente um israelita, em quem não há engano!

48Natanael lhe disse: De onde tu me conheces? Respondeu Jesus, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, estando tu debaixo da figueira, eu te vi.

49Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!

50Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Debaixo da figueira te vi, crês? Tu verás coisas maiores que estas.

51E disse-lhe: Em verdade, em verdade vos digo, que daqui em diante vereis o céu aberto, e aos anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do homem.

Contexto

Depois do chamado dos primeiros discípulos, Jesus decide partir para a Galileia e encontra Filipe. O movimento iniciado com João Batista continua: quem encontra Jesus começa a conduzir outras pessoas até ele. Filipe procura Natanael e anuncia que encontrou aquele sobre quem Moisés e os profetas escreveram.

Explicação

Jesus chama Filipe diretamente com as palavras “Segue-me”. Filipe, por sua vez, procura Natanael e apresenta Jesus como o cumprimento das expectativas das Escrituras. Natanael reage com desconfiança ao ouvir que Jesus vem de Nazaré, mas Filipe não entra em uma longa discussão; simplesmente responde: “Vem e vê”. Quando Natanael se aproxima, Jesus demonstra conhecê-lo de uma maneira que o surpreende, mencionando que o havia visto debaixo da figueira antes mesmo de Filipe chamá-lo. Diante disso, Natanael confessa Jesus como Filho de Deus e Rei de Israel. Jesus então amplia sua compreensão, prometendo que ele verá coisas maiores e evocando a imagem de Gênesis 28: os céus abertos e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Jesus apresenta a si mesmo como o verdadeiro ponto de encontro entre o céu e a terra.

Verdade central

Jesus não é apenas alguém sobre quem as Escrituras falam; ele é o Filho de Deus e o Filho do Homem, aquele por meio de quem Deus se revela e estabelece o verdadeiro encontro entre o céu e a humanidade.

Aplicação

Natanael começou com dúvidas, mas Filipe o convidou a encontrar Jesus pessoalmente. Isso nos ensina que nem toda dúvida precisa ser vencida primeiro por longos argumentos. Muitas vezes o testemunho cristão pode começar com um simples convite: venha e veja. Também aprendemos que Jesus nos conhece antes mesmo de nos aproximarmos dele. Ele conhece nossas perguntas, nossas reservas e nossa história, e ainda assim nos chama para segui-lo e descobrir coisas maiores.

Fontes históricas consultadas

Matthew Henry — Commentary on the Whole Bible · John Gill — Exposition of the Bible · Jamieson, Fausset & Brown — Commentary Critical and Explanatory

1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus.

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2Esta estava no princípio junto de Deus.

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3Por esta foram feitas todas as coisas, e sem ela não se fez coisa nenhuma do que foi feito.

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4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos seres humanos.

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5E a luz brilha nas trevas; e as trevas não a compreenderam.

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6Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João.

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7Este veio por testemunho, para que testemunhasse da Luz, para que todos por ele cressem.

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8Ele não era a Luz; mas [foi enviado] para que testemunhasse da Luz.

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9[Esta] era a luz verdadeira, que ilumina a todo ser humano que vem ao mundo.

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10No mundo estava, e por ele foi feito o mundo; e o mundo não o conheceu.

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11Ao [seu] próprio veio, e os seus não o receberam.

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12Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem em seu nome.

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13Os quais não são gerados de sangue, nem de vontade da carne, nem de vontade de homem, mas sim de Deus.

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14E aquela Palavra se fez carne, e habitou entre nós; (e vimos sua glória, como glória do unigênito do Pai) cheio de graça e de verdade.

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15E João dele testemunhou, e clamou, dizendo: Este era aquele, de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim; porque era primeiro que eu.

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16E de sua plenitude recebemos todos também graça por graça.

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17Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade foi feita por Jesus Cristo.

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18A Deus nunca ninguém o viu; o unigênito Filho, que está no seio do Pai, ele [o] declarou.

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19E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram alguns sacerdotes e levitas de Jerusalém, que lhe perguntassem: Tu quem és?

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20E confessou, e não negou; e confessou: Eu não sou o Cristo.

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21E lhe perguntaram: Que, então? És tu Elias? E ele disse: Não sou. [Eles disseram] : Tu és o Profeta? E ele respondeu: Não.

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22Disseram-lhe pois: Quem és? Para darmos resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?

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23Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

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24E os enviados eram dos fariseus.

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25E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que pois batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

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26João lhes respondeu, dizendo: Eu batizo com água; mas em meio de vós, está a quem vós não conheceis,

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27Este é aquele que vem após mim, o qual já foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a tira de sua sandália.

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28Estas coisas aconteceram em Betábara, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

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29O dia seguinte viu João a Jesus vir a ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

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30Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que já foi antes de mim; porque já era primeiro que eu.

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31E eu não o conhecia; mas para que fosse manifesto a Israel, por isso vim eu batizando com água.

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32E João testemunhou, dizendo: Eu vi o Espírito como pomba descer do céu, e repousou sobre ele.

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33E eu não o conhecia, mas aquele que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer ao Espírito, e repousar sobre ele, esse é o que batiza com Espírito Santo.

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34E eu [o] vi, e testemunhado tenho, que este é o Filho de Deus.

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35O seguinte dia estava outra vez [ali] João, e dois de seus discípulos.

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36E vendo [por ali] andar a Jesus, disse: Eis o Cordeiro de Deus.

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37E os dois discípulos ouviram[-lhe] dizer [aquilo] , e seguiram a Jesus.

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38E Jesus, virando-se, e vendo-os seguir, disse-lhes: Que buscais? E eles lhe disseram: Rabi, (que traduzido, quer dizer, Mestre) onde moras?

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39Disse-lhes ele: Vinde, e vede-o; Vieram, e viram onde morava, e na companhia dele naquele dia; e já era quase a hora décima.

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40Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouvira aquilo de João, e o haviam seguido.

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41Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Já achamos ao Messias(que traduzido, é o Cristo).

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42E levou-o a Jesus. E Jesus, olhando para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas. (que se traduz Pedro).

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43O dia seguinte Jesus quis ir à Galileia, achou Filipe, e disse-lhe: Segue-me.

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44E Filipe era de Betsaida, da cidade de André e de Pedro.

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45Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Achamos [aquele] de quem Moisés escreveu na Lei, e os Profetas: a Jesus, o filho de José, de Nazaré.

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46E disse-lhe Natanael: Pode haver alguma coisa boa de Nazaré? Filipe lhe disse: Vem, e vê.

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47Jesus viu Natanael vir, e disse dele: Eis verdadeiramente um israelita, em quem não há engano!

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48Natanael lhe disse: De onde tu me conheces? Respondeu Jesus, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, estando tu debaixo da figueira, eu te vi.

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49Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!

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50Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Debaixo da figueira te vi, crês? Tu verás coisas maiores que estas.

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51E disse-lhe: Em verdade, em verdade vos digo, que daqui em diante vereis o céu aberto, e aos anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do homem.

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