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O Livro dos Vigilantes

1 Enoque — Capítulo 14

25 versículos

1Livro das palavras de justiça e da repreensão dos Vigilantes eternos, conforme a ordem do Santo e Grande naquela visão.

2Vi em meu sono o que agora relatarei com língua humana e com o sopro de minha boca, que o Grande concedeu aos homens para que falassem e compreendessem com o coração.

3Assim como ele criou o ser humano e lhe deu capacidade para compreender a palavra da sabedoria, também me criou e me deu poder para repreender os Vigilantes, filhos do céu.

4Escrevi vossa petição, mas em minha visão foi revelado que ela não vos será concedida por todos os dias da eternidade. O julgamento definitivo foi pronunciado contra vós; vossa petição não será atendida.

5De agora em diante, não subireis ao céu por toda a eternidade; foi decretado que sereis presos nos vínculos da terra por todos os dias do mundo.

6Antes disso, vereis a destruição de vossos filhos amados e não encontrareis alegria neles, pois cairão diante de vós pela espada.

7Vossa petição em favor deles não será atendida, nem tampouco a que fizestes por vós mesmos, ainda que choreis, oreis e pronuncieis todas as palavras contidas no escrito que redigi.

8A visão me foi mostrada assim: nuvens me chamaram, uma névoa me convocou, o curso das estrelas e os relâmpagos me apressaram, e os ventos da visão fizeram-me voar, elevaram-me e conduziram-me ao céu.

9Avancei até aproximar-me de uma muralha construída de cristais e cercada por línguas de fogo; ela começou a causar-me temor.

10Entrei por entre as línguas de fogo e aproximei-me de uma grande casa construída de cristais. Suas paredes eram como um piso revestido de cristais, e seus fundamentos eram de cristal.

11Seu teto era como o caminho das estrelas e dos relâmpagos; entre eles havia querubins de fogo, e acima deles havia algo transparente como água.

12Fogo ardente cercava as paredes, e seus portais flamejavam.

13Entrei naquela casa. Ela era quente como fogo e fria como gelo; não havia nela nenhum prazer da vida. O medo me cobriu, e o tremor se apoderou de mim.

14Enquanto estremecia e tremia, caí com o rosto em terra. Então contemplei uma visão.

15Vi uma segunda casa, maior do que a primeira. Todo o seu portal estava aberto diante de mim, e ela era construída de chamas de fogo.

16Em esplendor, magnificência e extensão ela excedia de tal maneira a primeira que não consigo descrever-vos sua glória nem suas dimensões.

17Seu piso era de fogo; acima dele havia relâmpagos e o caminho das estrelas, e seu teto também era fogo flamejante.

18Olhei e vi ali um trono elevado. Sua aparência era como cristal, suas rodas eram como o sol resplandecente, e havia a visão de querubins.

19De baixo do trono saíam rios de fogo ardente, de modo que eu não conseguia olhar para ele.

20A Grande Glória estava assentada sobre o trono. Suas vestes brilhavam mais intensamente que o sol e eram mais brancas que qualquer neve.

21Nenhum anjo podia entrar e contemplar sua face por causa de sua magnificência e glória; nenhuma criatura de carne podia vê-lo.

22Fogo ardente o cercava, e um grande fogo permanecia diante dele. Ninguém ao redor podia aproximar-se. Dez mil vezes dez mil estavam diante dele, mas ele não necessitava de conselheiro algum.

23Os santíssimos que estavam próximos dele não se afastavam durante a noite nem se retiravam de sua presença.

24Até então eu permanecia prostrado com o rosto em terra, tremendo. O Senhor chamou-me com sua própria boca e disse: ‘Aproxima-te, Enoque, e ouve minha palavra.’

25Um dos santos veio até mim e me despertou. Ele me fez levantar e aproximar-me da porta; eu mantive o rosto inclinado para baixo.